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23/06/2008 19:48 NULL

Vale a pena acessar
Encontrei hoje na internet um endereço que merece nossa leitura atenta. Trata-se do blog OICULT - Observatório da Indústria Cultural, criado e editado por um grupo de pesquisadores da UFF.
Seguindo a tendência dos demais observadores midiáticos (tal qual o Observatório da Imprensa, de Alberto Dines), o OICULT vai muito mais além destes, “trabalhando numa perspectiva contra-hegemônica”.
Os artigos do blog são extremamente reflexivos, contextualizados, inteligentes; logo, seus textos são bastante longos. Mas vale a pena a leitura.
Para exemplificar, publicamos fragmento do artigo “O direito a ser humano”, da professora Adriana Facina, publicado em 06/01/08. Dissertando sobre a evolução do conceito de direitos humanos, no Brasil e no mundo, ela afirma:
“De um lado, temos uma mídia criminosa que estigmatiza os pobres e torce pela limpeza étnica que as políticas de (in)segurança vêm realizando em periferias e favelas, criando a idéia de uma guerra que rende muita audiência e contratos publicitários.
De outro, uma classe média amedrontada e acuada, desprovida da experiência fundamental de convívio com as classes populares que era gerada em espaços como a escola pública, agora esvaziada desse papel social.
Não é de se estranhar a proliferação de discursos que relativizam os direitos humanos, legitimando práticas como tortura e execuções sumárias e acusando os que falam em nome do combalido estado de direito de serem defensores dos criminosos. Trata-se de uma combinação explosiva.
E o que é dinamitado com essa explosão? A própria idéia de ser humano, de humanidade.
Em última análise, os que atiram contra os direitos humanos não estão dizendo que certas pessoas têm direitos e outras não. Mas sim que alguns são humanos de verdade, enquanto que outros não merecem tal designação.
A questão é definir quem decide sobre a humanidade de quem. E aí não há Alto Leblon que escape. Todos acabam prisioneiros dessa lógica perversa.
Tantos os que são executados nas favelas, quanto os que viram alvo de cruzadas moralizantes e violentas de playboys espancadores oriundos da classe média.
O menino da favela que morre com um tiro da polícia no peito em frente de casa e o outro que leva uma bala na cabeça, provavelmente vinda de uma moradia luxuosa de um bairro ainda mais luxuoso.
A cada vez que um capitão Nascimento é chamado, morre mais um pouco de nossa humanidade.”
Para acessar o OICULT, clique aqui.
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